A primeira semana pós-vitória de Lula, reeleito para seu quarto mandato presidencial, foi dominada pela fuga de Flávio Bolsonaro para Miami, numa saída que o texto descreve como rocambolesca e motivada pelo temor de ser preso aqui.
Segundo a reportagem, a partida de Flávio para a "América de Donald Trump" ocorreu após a convocação para entrega do passaporte. Ao desembarcar em Miami, acompanhado da mulher e de suas filhas, ele publicou um manifesto que, em sua primeira versão, o descrevia como "presidente do Brasil" e, em seguida, como "líder".
No documento, Flávio comparou-se ao general Charles de Gaulle e prometeu resgatar a democracia perdida pelo Brasil, ação que a matéria afirma ter ocorrido aconselhada por seu pai, logo após a intimação para devolver o passaporte. A proximidade da retenção do documento é apresentada como fator que precipitou a saída.
O texto também relata que Flávio se recusou a enfrentar as investigações da Justiça sobre os supostos crimes que teria cometido, contrapondo esse comportamento ao de Lula quando foi condenado e preso pelo então juiz Sergio Moro. Lula, segundo a matéria, julgou-se inocente, ficou 580 dias em uma cela da Polícia Federal e acabou sendo solto pelo Supremo Tribunal Federal.
A reportagem afirma ainda que, para Jair Bolsonaro, Flávio era a esperança de recuperar a liberdade por meio de um indulto presidencial e que essa teria sido a razão plausível para lançá-lo candidato, com a expectativa de que os dois governariam juntos a partir de 5 de janeiro próximo. Com a fuga, diz o texto, esse projeto acabou.
Por fim, o texto avalia que o projeto de Lula está apenas começando, graças à determinação da maioria dos brasileiros que lhe deu nova vitória no segundo turno, e ressalta que o presidente reeleito está em débito com os setores que o apoiaram, terminando a coluna com a expressão "A porta da rua é a serventia da casa."
Foto: Joe Raedle/Getty Images
Fonte: Metrópoles

