A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) informou na manhã desta segunda-feira, 26, que suspendeu as negociações de ações após o acionamento do "circuit breaker", provocado por uma queda de 10% do Ibovespa em relação à sessão anterior. O mecanismo foi acionado pela primeira vez na história antes mesmo da abertura das operações na bolsa.
As ações começariam a ser negociadas às 10h da manhã, mas, às 9h57, a B3 enviou um e-mail a clientes alertando sobre a suspensão do pregão. As negociações ficarão paralisadas por 30 minutos; se as quedas continuarem, a suspensão poderá ser estendida e até ser determinada de forma indefinida.
A paralisação atinge ações, BDRs, ETFs, opções referenciadas nesses ativos e também títulos de renda fixa privada.
Como funciona o circuit breaker
O circuit breaker é um mecanismo de segurança para evitar oscilações excessivas. Segundo as regras citadas pela B3, se o Ibovespa cair 10% a negociação é interrompida por 30 minutos. Reaberto o mercado, se a queda alcançar 15% a interrupção passa a ser de uma hora. Se atingir 20% de baixa, a B3 pode suspender a negociação por um período a ser definido, com comunicação ao mercado.
O circuit breaker não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão. Se a interrupção ocorrer na última hora, o encerramento do mercado pode ser prorrogado em até 30 minutos para permitir a reabertura e a negociação contínua.
Acionamentos anteriores
O mecanismo foi acionado em 23 ocasiões anteriormente; a paralisação de hoje é a 24ª. Em 1997, em meio à crise da Ásia, os negócios foram interrompidos em 7 e 12 de novembro. Em 1998, na crise da Rússia, ocorreram cinco interrupções por baixa de 10%, incluindo duas no dia 10 de setembro; outras paralisações ocorreram em 21 de agosto e em 4 e 17 de setembro.
Na crise cambial brasileira de 1999, o circuit breaker foi acionado em 13 e 14 de janeiro, e nesses pregões o Ibovespa alcançou mínimas de 5.277 pontos e 5.050 pontos. Em 2008, no período marcado pela crise do sistema financeiro após o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, o pregão da Bovespa foi interrompido seis vezes: a primeira em 29 de setembro e outras cinco em outubro, sendo o dia 6 com duas paralisações, além dos dias 19, 15 e 22.
O circuit breaker também foi acionado em 2017 após a delação premiada da JBS e em 2020 foi ativado seis vezes — nos dias 9, 11, 12, 16 e 18 de março — em meio à forte volatilidade provocada pelas incertezas iniciais da pandemia de coronavírus.
Na manhã em que o mecanismo foi acionado, os juros futuros dispararam, extremamente pressionados após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. A alta das taxas provocou forte correção e dificultou as operações, à medida que as taxas bateram sucessivamente os limites de oscilação definidos pela B3, os quais já foram ampliados por duas vezes nesta manhã.
Foto: Sede da B3, Bolsa de Valores de São Paulo - Foto: Divulgação
Fonte: Revista Oeste

