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Brejo Grande: areias do delta do São Francisco têm minerais estratégicos

Backshore Resources pesquisa zircão, ilmenita e monazita no Saramém Project; levantamentos apontam 47 km de faixas mineralizadas e 196 milhões de toneladas com média de 2,3% de minerais pesados, próximas à superfície.

29 de out., 14:47 Brejo Grande

Por Agência Sergipe de Notícias

Brejo Grande: areias do delta do São Francisco têm minerais estratégicos
Foto: Edu Freire

As areias de Brejo Grande, no litoral norte de Sergipe, concentram depósitos de minerais pesados que atraem pesquisas da Backshore Resources no Saramém Project, com ocorrências de zircão, ilmenita e monazita. As investigações identificaram minerais de interesse ao longo de cerca de 47 quilômetros de faixas mineralizadas e estimaram volume de material mineralizado em 196 milhões de toneladas, das quais, em média, 2,3% correspondem a minerais pesados. As ocorrências estão próximas à superfície, característica que favorece a extração.

O consultor em mineração da Desenvolve-SE, Antônio Sérgio Ferrari, ressalta a importância da pesquisa mineral para atrair investimentos e ampliar o conhecimento sobre os recursos do estado: "Por isso, a agência também trabalha para ampliar o conhecimento sobre os recursos minerais do estado por meio de estudos, levantamentos e mapas que apresentam a distribuição dos minerais e a situação dos processos minerários. Essas informações ajudam investidores a avaliar o potencial do território e a identificar oportunidades compatíveis com seus interesses", afirma.

Formação e potencial

Localizado no delta do rio São Francisco, o Saramém apresenta terrenos formados por antigos depósitos de areias, incluindo paleodunas preservadas no registro geológico. É nesse terreno que foram identificadas faixas com concentração de minerais pesados como zircão, ilmenita e monazita, que motivam a expansão das pesquisas em busca de novas áreas mineralizadas.

Segundo o CEO da Backshore Resources, Ricardo Gallart, os estudos visam ampliar os recursos já definidos e consolidar a rota de beneficiamento mineral. "Este é um setor em que o Brasil tem muita vantagem competitiva. Os estudos realizados até o momento nos permitiram consolidar os recursos minerais e avançar em duas frentes: o crescimento dos recursos, com a pesquisa em novos alvos, e a consolidação da rota de beneficiamento mineral, que sustentará o desenho final da operação", explica.

Método de extração e testes

As ocorrências próximas à superfície permitem a escavação livre (free digging), com remoção do material superficial e separação física dos minerais de interesse da maioria da areia que não constitui produto mineral. O projeto prevê inicialmente concentração por via úmida, usando água ou outros fluidos como meio de transporte e separação para isolar os minerais presentes na areia.

Testes realizados pela empresa resultaram, por exemplo, em um concentrado não magnético rico em zircão e outro magnético rico em ilmenita. Os estudos indicam que mais de 95% do material processado retorna à cava, com recomposição da topografia de forma semelhante à configuração original. Também foi avaliado o aproveitamento da monazita: testes com o concentrado de minerais pesados conseguiram separar uma fração rica em monazita, submetida a etapa adicional de concentração.

Fases do Saramém Project

O Saramém Project está em fase de desenvolvimento, com pesquisas minerais e testes de processamento realizados e avanço dos procedimentos para licenciamento e futura operação. No depósito Jiboia, uma das frentes mais adiantadas, estão em andamento o requerimento para mineração e o licenciamento ambiental.

Antes da produção em escala comercial, a Backshore Resources planeja uma etapa pré-operacional com implantação de uma planta-piloto, estimada entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões, destinada a produzir concentrados para potenciais clientes e a avançar nos estudos, licenciamento e autorizações. A primeira fase prevista prevê uma planta de concentração a úmido com capacidade de processamento de 1,4 milhão de toneladas por ano, investimento estimado entre US$ 10 milhões e US$ 12 milhões, e produção projetada de 36 mil a 40 mil toneladas anuais de concentrado rico em titânio, zircônio e terras raras. Estimam-se 107 empregos diretos e 320 indiretos, com projeção de uma segunda fase de capacidade significativamente maior.

Impacto regional

O Saramém Project integra um movimento mais amplo de desenvolvimento da mineração em Sergipe. A Desenvolve-SE atua na identificação de oportunidades, produção de informações estratégicas e aproximação com empresas e investidores, além de apoio a iniciativas que ampliem o conhecimento geológico do estado.

"Projetos como o Saramém têm papel relevante na diversificação da economia sergipana e no posicionamento do estado na agenda de minerais críticos, tema central para o Brasil nos dias de hoje. Estamos comprometidos com uma mineração tecnicamente responsável, socialmente dialogada e em sintonia com a estratégia do estado de atrair investimentos", conclui o CEO da Backshore Resources.

Em Brejo Grande, o projeto evidencia possibilidades econômicas a partir dos recursos minerais do território. Embora uma eventual produção ainda dependa de etapas técnicas, ambientais e regulatórias, o Saramém abre nova frente para a mineração sergipana.

"A Desenvolve-SE tem trabalhado para mostrar o potencial de Sergipe e facilitar a aproximação com empresas interessadas em investir no estado. A partir de estudos, levantamentos e do diálogo com investidores, buscamos identificar oportunidades e entender o que é necessário para viabilizar novos projetos", conclui o consultor em mineração da Desenvolve-SE, Antônio Sérgio Ferrari.

Foto: Edu Freire

Fonte: Agência Sergipe de Notícias