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Cinco ecorregiões de recifes costeiros do Brasil estão criticamente em perigo

Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), apresentada na COP17 em Yerevan, classifica cinco áreas brasileiras como Criticamente em Perigo

29 de out., 16:16 BR

Por Agência Brasil

Cinco ecorregiões de recifes costeiros do Brasil estão criticamente em perigo
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cinco ecorregiões de recifes de corais costeiros do Brasil foram classificadas como Criticamente em Perigo pela Lista Vermelha de Ecossistemas, lançada na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia.

Das oito ecorregiões brasileiras analisadas, três não tiveram dados suficientes para uma classificação geral. As cinco áreas sob alerta são:

  • Parrachos;
  • Atol das Rocas e Fernando de Noronha;
  • Costa dos Corais;
  • Baía de Todos os Santos e Baixo Sul;
  • Abrolhos.

Classificada como Criticamente em Perigo, cada ecorregião ainda abriga corais vivos, mas a avaliação indica necessidade de ação urgente para protegê-las. Houve dados insuficientes para Parcel de Manuel Luís, Costa Semiárida e Queimada Grande.

"A avaliação aponta a necessidade de ampliar o conhecimento sobre essas áreas para compreender melhor sua situação e orientar medidas de conservação",

ressalta a analista de Conservação do WWF-Brasil, Ana Lídia Gaspar.

Ameaças

As ondas marinhas de calor são apontadas como a principal ameaça, com referência a eventos de estresse térmico que causaram branqueamento severo e mortalidade em 2019/2020 e 2024. Pressões humanas locais — como sobrepesca, desenvolvimento costeiro, turismo e aporte de sedimentos e nutrientes do continente — reduzem a qualidade da água e a resiliência dos recifes.

O estudo cita ainda exploração de petróleo e gás, mineração, navegação e a invasão de espécies exóticas, como os corais-sol e o peixe-leão. "De modo geral, os recifes costeiros estão expostos a pressões cumulativas maiores do que os recifes situados mais longe da costa", acrescenta o documento.

Metodologia e alcance

A avaliação considerou mudanças ocorridas nos últimos 50 anos e projeções de estresse térmico para as próximas cinco décadas, com base em um cenário intermediário do IPCC. Concluiu-se que, nos últimos 50 anos, Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha já apresentavam condições para classificação CR; Baía de Todos os Santos e Baixo Sul e Abrolhos seriam classificados como EN. O relatório analisou apenas recifes de coral fóticos (rasos e ensolarados), excluindo recifes profundos, rochosos e corais de água fria.

Em escala global, foram avaliadas 127 ecorregiões em mais de 80 países; 122 delas foram classificadas como Criticamente em Perigo, o equivalente a 96%. Considerando apenas as mudanças dos últimos 50 anos, 116 ecorregiões estão ameaçadas, incluindo 30 que já estão criticamente em perigo, segundo a UICN.

A Lista Vermelha de Ecossistemas é uma ferramenta para a revisão do tratado de biodiversidade de Kunming-Montreal, estabelecido em dezembro de 2022, do qual o Brasil é signatário. A avaliação orienta relatórios e políticas nacionais para proteção dos recifes e redução de pressões locais, mas ressalta que ações locais complementam, e não substituem, a ação climática global: "Medidas locais não são capazes de impedir as ondas de calor marinhas, portanto, cortes rápidos nas emissões continuam sendo essenciais".

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil