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Por que a luz de freio acende quando um elétrico desacelera

Normas internacionais obrigam que a desaceleração provocada pela frenagem regenerativa seja sinalizada; fabricantes ajustam o acionamento conforme limites e velocidade.

10 de out., 21:32 São Cristóvão 0 leituras
Por que a luz de freio acende quando um elétrico desacelera
Foto: Reprodução

Os carros elétricos e híbridos podem reduzir a velocidade sem que o motorista pise no pedal do freio, por meio da frenagem regenerativa. Ainda assim, os veículos que vêm atrás são avisados: há normas internacionais que obrigam as montadoras a acender a luz traseira quando a desaceleração ultrapassa determinado limite.

O que é frenagem regenerativa

Na frenagem regenerativa, ao tirar o pé do acelerador o motor elétrico passa a funcionar como gerador, convertendo a energia cinética do veículo em eletricidade para recarregar a bateria. Quando a desaceleração é leve, semelhante ao freio-motor de um carro a combustão, as luzes de freio normalmente permanecem apagadas e o veículo apenas perde velocidade gradualmente.

Se a regeneração produz uma desaceleração mais intensa, o próprio veículo acende automaticamente as luzes de freio mesmo sem o motorista tocar no pedal. O sistema monitora continuamente a taxa de desaceleração e, quando ela ultrapassa um valor definido pelas normas de homologação, a central eletrônica aciona as lanternas para avisar os veículos que vêm atrás.

Regras e limites

Na Europa, a exigência consta do Regulamento UNECE nº 13-H, referência adotada por vários fabricantes. De forma simplificada, a regra estabelece:

  • desaceleração inferior a 0,7 m/s²: não há obrigação de acender a luz de freio;
  • desaceleração acima de 1,3 m/s²: as luzes de freio devem acender automaticamente;
  • entre esses valores: o fabricante pode definir a estratégia de funcionamento, desde que respeite os requisitos da regulamentação.

Em sistemas de condução com um único pedal (one pedal), presentes em modelos da Nissan, BMW, Volvo, BYD, GWM, Chevrolet e Tesla, a regeneração pode ser bastante forte. Nesses casos, as luzes de freio costumam acender automaticamente assim que a desaceleração ultrapassa o limite estabelecido pela legislação, fazendo com que, para quem está atrás, a percepção seja igual à de um carro que acionou o pedal.

Na prática, não existe risco de o carro de trás não perceber a desaceleração: veículos homologados para circulação devem obedecer às normas de sinalização luminosa e acionar as lanternas quando a regeneração desacelera o veículo de forma significativa. Há, porém, uma exceção prevista no regulamento: abaixo de aproximadamente 10 km/h as luzes de freio podem deixar de ser acionadas pela regeneração, mesmo que ela continue atuando, pois nessa faixa a desaceleração é pequena e muitos veículos passam a usar os freios hidráulicos para parar completamente.

Na prática, cada fabricante define sua estratégia dentro dos limites da norma. A Tesla, por exemplo, acende as luzes sempre que a regeneração produz uma desaceleração significativa, enquanto a BYD faz o mesmo nos modos de regeneração mais intensos. Volvo, BMW, Mercedes-Benz, Hyundai, Kia e GWM seguem lógica semelhante, ajustando o acionamento conforme a intensidade da regeneração e a velocidade do veículo.

Foto: Reprodução

Fonte: CanalTech