A queda começou ainda em São Paulo
Tiririca chegou à política com uma campanha marcada pelo humor e pelo bordão “Pior do que tá, não fica”. Sua candidatura se tornou um dos símbolos do voto de protesto em 2010, quando a popularidade conquistada no entretenimento se converteu em uma votação milionária.
Em 2014, ele permaneceu acima da marca de um milhão de votos. Recebeu 1.016.796 e ficou atrás apenas de Celso Russomanno no ranking nacional para a Câmara. Ainda assim, já havia uma redução de 337.024 votos, equivalente a 24,9% em relação à estreia, conforme cálculo a partir dos resultados divulgados pela Câmara dos Deputados.
A retração se aprofundou em 2018. Com 453.855 votos, Tiririca garantiu o terceiro mandato, mas obteve menos da metade da votação anterior. A redução entre os dois pleitos foi de 55,4%, calculada a partir dos totais registrados.
Em 2022, o contraste ficou ainda mais evidente: o parlamentar recebeu 71.754 votos e foi o menos votado entre os deputados federais eleitos por São Paulo. A permanência na Câmara ocorreu com o auxílio do desempenho eleitoral do PL na distribuição das cadeiras pelo sistema proporcional.
Considerando apenas as quatro disputas pelo mesmo estado, Tiririca passou de 1.353.820 para 71.754 votos. Isso representa 1.282.066 votos a menos e uma redução acumulada de 94,7% entre 2010 e 2022. Portanto, a queda expressiva já estava consolidada antes da transferência da candidatura para o Ceará.
Mudança de partido e de estado não garantiu novo mandato
Em novembro de 2025, Tiririca deixou o PL, ingressou no PSD e anunciou a mudança do domicílio eleitoral de São Paulo para o Ceará, seu estado natal. A nova candidatura buscava garantir a continuidade de sua trajetória na Câmara, agora representando o eleitorado cearense.
A comparação com os pleitos anteriores, porém, exige essa ressalva: em 2026, ele concorreu em outro estado, diante de um eleitorado diferente. Por isso, a diferença entre os totais paulistas e o resultado cearense não pode ser interpretada simplesmente como abandono pelos mesmos eleitores.
Com a derrota, Tiririca não assegurou uma cadeira para a próxima legislatura. O mandato atual, conquistado em 2022 por São Paulo, segue até 31 de janeiro de 2027.

