O ARROTO | ANÁLISE ESPECIAL
Por Redação O Arroto • 11 de outubro de 2026
Faltam duas semanas para que os brasileiros decidam quem ocupará a Presidência da República a partir de 2027. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou o primeiro turno com a maior votação.
Para compreender o cenário nacional, O Arroto reuniu resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levantamentos de intenção de voto, composição das novas bancadas legislativas, apoios políticos e indicadores das redes sociais.
O objetivo é ir além de uma pesquisa isolada e mostrar quais fatores estão influenciando a disputa, sem confundir tendências observadas com o resultado definitivo das urnas.
Primeiro turno deixou uma diferença de 2,2 milhões de votos
Na eleição de 4 de outubro, Flávio Bolsonaro conquistou 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%.
A diferença foi de 2.224.965 votos, correspondentes a 1,87 ponto percentual. Outros 9.316.747 votos válidos foram destinados a candidatos que não avançaram ao segundo turno.
A abstenção também merece atenção. Foram 33.469.244 eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Além disso, houve cerca de 2,3 milhões de votos brancos e 3,67 milhões de nulos.
Congresso eleito reforça o peso das estruturas partidárias
A eleição parlamentar produziu uma configuração importante para a disputa presidencial e para o próximo governo.
O PL elegeu 121 deputados federais, formando a maior bancada da Câmara. O PT conquistou 70 cadeiras, enquanto União Brasil e PSD elegeram 46 e 43 representantes, respectivamente. PP e Republicanos ficaram com 41 cada, e MDB, com 36.
No Senado, o PL conquistou 19 das 54 vagas disputadas e deverá iniciar 2027 com uma bancada de 28 senadores. O PT terá nove e a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, somará 11.
Nas Assembleias Legislativas e na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a distribuição também revela o alcance das diferentes siglas: o PL elegeu 212 representantes, o PT 141, o MDB 112, o PSD 103, o PP 81, o Republicanos 78 e o União Brasil 73.
Esses parlamentares possuem articulações locais e regionais capazes de auxiliar campanhas, mobilizar apoiadores e ampliar a presença política de seus partidos. Entretanto, a conquista de cadeiras não significa transferência automática de votos para presidente.
Governadores: 20 estados já decidiram seus representantes
O primeiro turno também definiu o comando de 20 governos estaduais. O PL conquistou cinco estados, seguido pelo PSD, com quatro. PT e Republicanos elegeram três governadores cada, enquanto o PP venceu em dois. MDB, Podemos e PSDB conquistaram um governo cada.
Sete unidades federativas ainda decidirão seus governadores em 25 de outubro: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
Entre as lideranças estaduais que participam da campanha presidencial estão Tarcísio de Freitas, reeleito em São Paulo, e Cleitinho Azevedo, eleito em Minas Gerais, ambos do Republicanos. No campo petista, Jerônimo Rodrigues, Elmano de Freitas e Rafael Fonteles foram eleitos ou reeleitos na Bahia, Ceará e Piauí.
A capacidade de mobilização desses governadores pode influenciar a participação eleitoral em seus estados, embora não seja possível calcular antecipadamente quantos votos cada liderança consegue transferir.
Centrão reorganiza seus apoios
O comportamento dos partidos de centro ganhou importância depois de 4 de outubro. União Brasil e PP, integrantes da federação União Progressista, anunciaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Republicanos, Podemos e Novo também aderiram.
No PSD, a posição é diferente. A legenda não adotou apoio nacional obrigatório, mas líderes como Ronaldo Caiado e Ratinho Junior declararam apoio individual a Flávio.
O MDB também mantém diferentes posições entre suas lideranças estaduais, sem uma adesão nacional uniforme a um dos candidatos.
Lula, por sua vez, mantém o apoio de sua coligação de esquerda e centro-esquerda e busca ampliar o diálogo com dirigentes e eleitores de partidos que não participaram de sua aliança original.
A movimentação demonstra que a composição de um eventual governo está sendo discutida simultaneamente à disputa eleitoral. Ainda assim, alianças partidárias não representam necessariamente o comportamento individual dos eleitores.
Os votos dos candidatos eliminados podem mudar o quadro
Augusto Cury (Avante) recebeu 3.448.569 votos no primeiro turno. Renan Santos (Missão) conquistou 2.675.887, Ronaldo Caiado (PSD) obteve 2.605.148 e Romeu Zema (Novo) registrou 326.488.
Cury, Caiado e Zema anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro. Somados, esses três candidatos receberam 6.380.205 votos no primeiro turno. Renan Santos, quarto colocado, não declarou apoio a nenhum dos dois concorrentes.
Mas existe uma diferença fundamental entre receber o apoio de uma liderança e conquistar os votos de seus antigos eleitores.
A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada em 9 de outubro, mostrou que 54,9% dos entrevistados que disseram ter votado em Caiado declararam preferência por Flávio, enquanto 26,9% escolheram Lula.
Entre os eleitores de Augusto Cury, entretanto, Lula apareceu com 50,4%, contra 38,9% de Flávio, apesar da declaração posterior de apoio de Cury ao candidato do PL.
No grupo de Renan Santos, Flávio registrou 40,3%, Lula 28,1%, e 31,6% estavam indecisos ou optavam por votos brancos ou nulos.
Esses resultados ajudam a demonstrar por que uma soma direta dos votos obtidos pelos candidatos eliminados pode produzir uma avaliação equivocada.
Pesquisas apresentam resultados próximos, mas não idênticos
Cinco levantamentos nacionais divulgados até 11 de outubro registraram os seguintes percentuais de votos válidos: PoderData/Aya, Flávio 53% e Lula 47%; Datafolha, Flávio 52% e Lula 48%; Atlas/Bloomberg, Flávio 52,8% e Lula 47,2%; Ipespe, Flávio 52,7% e Lula 47,3%; DataTrends, Flávio 53,1% e Lula 46,9%.
A média aritmética simples desses cinco levantamentos resulta em 52,72% para Flávio Bolsonaro e 47,28% para Lula.
Uma sexta pesquisa, realizada pela Vox Brasil, apresentou Lula com 44,2% e Flávio com 42,7% das intenções de voto totais. A diferença ficou dentro da margem de erro do instituto, de 2,15 pontos percentuais. Por utilizar outra base de apresentação, seus percentuais brutos não foram incorporados diretamente à média de votos válidos.
É importante destacar que a média calculada nesta reportagem não considera ponderações por metodologia, amostra, efeitos de instituto ou evolução temporal. Por isso, não deve ser confundida com um agregador estatístico profissional ou com uma previsão eleitoral.
As redes sociais são outro campo de disputa
O ambiente digital também apresenta movimentos relevantes. Um levantamento da agência Bites, divulgado pela CNN Brasil, identificou que Flávio Bolsonaro ganhou aproximadamente 1,74 milhão de seguidores nas redes entre 4 e 8 de outubro. Lula registrou crescimento de cerca de 958,4 mil no mesmo período.
Por outro lado, estudo divulgado pela Folha de S.Paulo identificou que as publicações de Lula alcançaram 9,9 milhões de interações em 7 de outubro, após mudanças na comunicação digital de sua campanha.
O canal de WhatsApp “Exército do Lula”, organizado pelo deputado André Janones, também alcançou aproximadamente 3,3 milhões de participantes ou seguidores e tornou-se alvo de uma disputa judicial envolvendo as campanhas.
Flávio conta com redes de apoiadores e influenciadores digitais, além da participação de nomes como Nikolas Ferreira e Pablo Marçal na circulação de conteúdos.
As métricas, porém, medem comportamentos diferentes. Número de seguidores, visualizações, interações e compartilhamentos não equivale a quantidade de eleitores conquistados.
A geografia e a abstenção continuam decisivas
O primeiro turno mostrou diferenças significativas entre as regiões brasileiras. Lula obteve seus melhores resultados no Nordeste, enquanto Flávio venceu nos outros quatro grandes recortes regionais.
O estado de São Paulo foi especialmente relevante para a votação do candidato do PL, enquanto a Bahia representou uma das maiores vantagens estaduais do candidato petista.
Essa distribuição torna a participação eleitoral um fator importante. Uma variação na abstenção em estados populosos pode alterar os totais nacionais, mesmo sem grandes mudanças nas preferências de quem já decidiu votar.
Também permanecem em discussão temas como segurança pública, custo de vida, combustíveis, programas sociais e propostas para o mercado de trabalho. O efeito eleitoral das medidas e manifestações recentes ainda depende de novas medições.
O que a inteligência artificial identifica nos números?
O cruzamento das informações apresenta uma fotografia da disputa em 11 de outubro.
O resultado oficial do primeiro turno mostra uma diferença de 1,87 ponto percentual entre os dois candidatos. Cinco pesquisas recentes apresentam percentuais de votos válidos entre 52% e 53,1% para Flávio e entre 46,9% e 48% para Lula. Outro levantamento, da Vox Brasil, aponta números totais ligeiramente superiores para Lula, dentro da margem de erro.
A composição do novo Congresso, o desempenho nas eleições estaduais e os apoios anunciados após o primeiro turno acrescentam contexto político, mas não possuem uma relação matemática comprovada que permita converter diretamente esses fatores em percentuais de votos.
O placar de referência calculado a partir das cinco pesquisas de votos válidos é de 52,7% para Flávio Bolsonaro e 47,3% para Lula. Trata-se de um indicador descritivo do momento, e não de um resultado previsto para 25 de outubro.
Faltando 14 dias para a votação, o desempenho nas próximas pesquisas, a participação dos eleitores ausentes, a migração dos votos da terceira via e os acontecimentos da campanha continuam sendo informações necessárias para compreender a evolução do quadro.
O resultado definitivo será conhecido com a apuração oficial do segundo turno.
Nota metodológica
Nota metodológica: análise editorial assistida por inteligência artificial, com dados apresentados até 11/10/2026. Foram considerados resultados eleitorais e levantamentos divulgados por Datafolha, Atlas/Bloomberg, Ipespe, PoderData/Aya, DataTrends e Vox Brasil. Não foi realizada pesquisa eleitoral própria, estimação de probabilidades de vitória ou projeção oficial para 25 de outubro. As amostras, metodologias e datas dos institutos podem diferir.

