As eleições parlamentares de Israel terminaram sem que nenhum bloco alcançasse a maioria necessária para formar governo. O resultado final da apuração, divulgado nessa quinta-feira (29/10), confirmou que o grupo liderado pelo primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset, enquanto o principal grupo de oposição, comandado pelo ex‑chefe militar Gadi Eisenkot, obteve 48 assentos. Outros partidos, que representam a minoria árabe‑israelense, conquistaram 19 cadeiras, quatro a mais do que em 2022.
O que acontece agora?
Com o resultado, a definição do próximo primeiro‑ministro dependerá da capacidade dos partidos de formar alianças no Parlamento. O presidente Isaac Herzog terá uma semana para ouvir os partidos eleitos e receber indicações sobre quem deve tentar formar o novo governo. Depois das consultas, Herzog escolherá o candidato que considerar mais capaz de reunir apoio no Knesset; o indicado terá 28 dias para negociar e poderá ter esse prazo prorrogado por mais 14 dias.
Se a primeira tentativa fracassar, o presidente poderá escolher outro candidato, que também terá 28 dias para formar uma coalizão. Caso a segunda negociação não avance, os deputados terão 21 dias para apresentar um nome apoiado por pelo menos 61 parlamentares; esse indicado terá mais 14 dias para concluir negociações. Se nenhuma das tentativas resultar em governo, o Parlamento será dissolvido e novas eleições serão convocadas. Herzog afirmou que pretende evitar a repetição do pleito.
Partidos árabes podem ser decisivos
O avanço das legendas árabe‑israelenses, que agora somam 19 cadeiras, pode ser determinante na formação de uma maioria. O líder da coalizão Joint List, Yousef Jabareen, defendeu aproximação com os partidos de oposição para encerrar o governo Netanyahu, apontando a eleição como oportunidade de construir uma nova liderança baseada na parceria entre judeus e árabes. Parte da oposição, porém, resiste a uma aliança formal com esses partidos, e há também propostas de um governo minoritário sustentado pelo apoio parlamentar das siglas árabes sem participação formal na coalizão — alternativa considerada politicamente frágil.
O líder do principal partido de esquerda, Yair Golan, foi um dos primeiros a defender publicamente a união com os partidos árabes, e centenas de israelenses organizaram protestos para pressionar negociações nesse sentido.
Netanyahu segue como primeiro‑ministro interino e impasses
Apesar de ter perdido a maioria, Netanyahu continuará no cargo como primeiro‑ministro interino até que um novo governo seja formado e receba voto de confiança do Parlamento. A condição mantém a administração em funcionamento durante as negociações, mas impõe limitações a decisões consideradas não urgentes, segundo a jurisprudência da Suprema Corte e orientações da Procuradoria‑Geral. O impasse abre possibilidade de tentativas de atrair integrantes da oposição para uma nova coalizão, embora antigos aliados como Naftali Bennett e Avigdor Lieberman já tenham prometido não se aliar ao atual premiê; divergências com os partidos ultraortodoxos, especialmente sobre isenções do serviço militar, também são um obstáculo.
Acusações de interferência e certificação dos resultados
O pleito foi o primeiro desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, e o resultado foi interpretado por setores como uma avaliação da gestão de Netanyahu. Antes da divulgação dos números finais, Netanyahu e integrantes do Likud levantaram suspeitas de interferência estrangeira na votação, citando o Catar, que negou participação. A comissão eleitoral informou que encaminhou suspeitas ao serviço de inteligência Shin Bet, mas afirmou que a investigação não tinha como objetivo levantar suspeitas sobre a comunidade árabe‑israelense e declarou que as alegações de violações sistemáticas da integridade eleitoral não tinham fundamento. O partido de Netanyahu chegou a acusar partidos árabes de "roubo" na eleição.
O resultado oficial deverá ser certificado e encaminhado ao presidente Isaac Herzog em 4 de novembro. Até lá, o país segue sem definição sobre quem comandará o próximo governo e com a possibilidade de permanecer sob administração interina até a conclusão das negociações.
Foto: Otavio Augusto/ Arte Metrópoles
Fonte: Metrópoles

