SegurançaVERIFICAÇÃO PARCIAL

Família vê racismo em ação que matou jovem com 27 tiros

Advogada que representa os familiares diz que a família contesta versão da Polícia Militar; vítima não estava armada e foi enterrada em Congonhas

13 de out., 12:31 BR 0 leituras
Família vê racismo em ação que matou jovem com 27 tiros
Foto: Reprodução/ Instagram

Gustavo Munis de Santana foi morto com 27 tiros por policiais militares em Moema, na zona sul de São Paulo, no sábado (10/10), e foi velado e enterrado no Cemitério de Congonhas na segunda-feira (12/10).

A advogada Ana Facillia, que representa os familiares, afirmou que a família vê racismo na ação policial e que "Não é a primeira vez que fazem uma abordagem violenta contra ele". Segundo a defesa, os parentes contestam a versão da Polícia Militar, que relacionou os disparos a uma reação de legítima defesa.

Em nota no sábado, a Polícia Militar disse que Gustavo fez "menção de sacar uma arma" durante a abordagem, "levando os policiais a intervir para repelir a injusta agressão". A equipe da PM afirmou que o homem fugiu a pé e teria feito o gesto de sacar uma arma. O jovem, porém, não estava armado e não tinha antecedentes criminais; o objeto em mãos era um celular.

Detalhes da ocorrência

Por volta das 2h35, policiais chegaram à Avenida Moreira Guimarães, 1.215, para atender a um chamado que relatava uma suposta tentativa de suicídio. A nota inicial da PM informou que um indivíduo "havia saltado de uma ponte". Essa informação não consta no boletim de ocorrência, que relata que o chamado citava um homem "transtornado" e ameaçando atirar contra si próprio.

Após a chegada dos policiais, o boletim diz que o jovem atravessou a passarela correndo e foi até a Alameda dos Guaramoris, 1.285. As imagens das câmeras corporais, segundo o documento, mostram que Gustavo saiu "de uma área escura, junto à fachada do imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua, onde estavam os policiais".

Os policiais militares dispararam 45 vezes. Destes, 27 tiros atingiram Gustavo. Apenas quatro disparos atingiram a região das pernas; os demais atingiram cabeça, pescoço, tórax, braços, bacia e pelve. Os agentes envolvidos foram afastados das atividades operacionais e um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto para apurar a conduta dos policiais.

A advogada afirmou que Gustavo tinha depressão e fazia tratamento, "mas nunca teve surto psicótico e nenhuma tentativa de suicídio". A família soube do assassinato por meio de contato feito pela Polícia Militar com uma das irmãs do jovem.

Na fachada do estabelecimento onde Gustavo foi baleado há mais de 20 marcas de tiros na parede e no portão, e o chão ficou manchado de sangue. Até o momento, nem as imagens das câmeras corporais dos agentes, nem o vídeo da câmera de segurança do local foram divulgados.

No bairro, funcionários de estabelecimentos próximos comentavam o caso e buscavam explicações para a ação policial. Depois do sepultamento, a irmã de Gustavo, Beatriz Munis, publicou nas redes sociais: "Eu devia ter falado te amo mais vezes".

A empresa onde Gustavo trabalhava, um estabelecimento de cuidados para animais de estimação, publicou um vídeo em que ele aparece cercado de cachorros e divulgou a seguinte mensagem: "Esse é o Gustavo que nós conhecíamos, um menino comprometido com seu trabalho. Levava os Dogs para as aulas de banho na unidade Santo Amaro, aguardava o dia todo os cães ficarem prontos. Nunca tivemos problemas algum com esse jovem que gostava de estar no meio dos animais. De uma forma cruel e injusta você foi levado, irmão! Que Deus faça justiça aqui na terra, e que cuide do coração dos seus familiares!"

O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Em nota no sábado (10/10), a Secretaria da Segurança Pública afirmou: "A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e constatadas irregularidades, os profissionais serão punidos com rigor. As armas dos policiais e o celular da vítima foram apreendidos para perícia. As imagens registradas pelas câmeras corporais durante a ação também foram solicitadas para análise".

Foto: Reprodução/ Instagram

Fonte: Metrópoles