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Marcos Santana teria sido eleito com mais 16.741 votos, aponta simulação

Cálculo com dados oficiais mostra que o PSB passaria a duas cadeiras e o União Progressista perderia uma, mantendo as demais votações. Em outra hipótese, com transferência direta de votos da federação, seriam necessários 10.045.

09 de out., 14:58 São Cristóvão 0 leituras

Por Redação O Arroto

Marcos Santana teria sido eleito com mais 16.741 votos, aponta simulação
Foto: Redação O Arroto

O PSB poderia ter conquistado uma segunda cadeira na bancada federal de Sergipe se Marcos Santana tivesse recebido mais 16.741 votos, mantendo as votações dos demais candidatos e partidos. Nessa hipótese, ele passaria dos 32.241 votos registrados na totalização para 48.982 votos. O PSB ficaria com duas vagas, e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, recuaria de três para dois deputados.

A simulação foi feita a partir do relatório oficial de totalização divulgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE). Com esse acréscimo, o PSB elegeria Cláudio Mitidieri e Marcos Santana. No União Progressista, a cadeira sairia de Gustinho Ribeiro, terceiro eleito da federação, permanecendo Yandra Moura e Capitão Samuel.

A hipótese considera votos adicionais exclusivamente para Marcos. Isso aumentaria tanto o total do PSB quanto o número de votos válidos para deputado federal. A origem dos votos é decisiva: se fossem transferidos diretamente do União Progressista, a quantidade necessária seria menor.

Como ficaram as oito vagas

Na totalização oficial, o União Progressista conquistou três cadeiras, o PSD ficou com duas, e Republicanos, PSB e Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — elegeram um deputado cada.

Partido ou federação Votos válidos totais Cadeiras
União Progressista — União/PP 315.092 3
PSD 257.174 2
Republicanos 202.916 1
PSB 193.321 1
Brasil da Esperança — PT/PCdoB/PV 173.171 1

A votação total do PSB reúne 191.297 votos nominais e 2.024 votos de legenda. O União Progressista somou 307.030 votos nominais e 8.062 de legenda.

Dentro do PSB, Cláudio Mitidieri recebeu 105.865 votos e foi eleito. Marcos Santana, com 32.241, ficou como primeiro suplente. Gustinho Ribeiro foi o terceiro eleito do União Progressista, com 58.289 votos.

A disputa estava na última sobra

Na eleição proporcional, a votação conjunta dos candidatos e da legenda determina quantas cadeiras cada partido ou federação pode conquistar. A votação individual define a ordem dos nomes dentro de cada lista, respeitados os requisitos legais.

Primeiro são distribuídas as vagas pelo quociente partidário. Depois, as cadeiras restantes são preenchidas pelo cálculo das maiores médias. Na situação examinada, a média corresponde aos votos totais do partido ou da federação divididos pelo número de vagas já obtidas, acrescido de um.

Cinco cadeiras foram preenchidas na primeira etapa. As três sobras da totalização oficial ficaram, na ordem, com União Progressista, PSD e União Progressista.

Ao disputar a última vaga, o União Progressista já tinha duas cadeiras. Sua média para conquistar a terceira era:

315.092 ÷ 3 = 105.030,666…

O PSB, com uma cadeira, disputava a segunda com a seguinte média:

193.321 ÷ 2 = 96.660,5.

Para ultrapassar o União Progressista, o PSB precisaria alcançar pelo menos 210.062 votos. A diferença para os 193.321 registrados é de 16.741 votos. O novo total, dividido por dois, produziria média de 105.031.

Um voto define o limite da simulação

Com os 16.741 votos adicionais destinados a Marcos, ele chegaria a 48.982. O PSB alcançaria média de 105.031 e ultrapassaria a do União Progressista, de 105.030,666…

O teste com um voto a menos confirma o ponto exato da mudança:

Votos adicionais em Marcos Votação final do candidato Média do PSB Destino da última cadeira
16.740 48.981 105.030,5 União Progressista
16.741 48.982 105.031 PSB

O Republicanos, outro concorrente à sobra, tinha média de 101.458 para sua segunda cadeira. Portanto, o PSB também superaria essa legenda.

Nessa hipótese, Marcos seria eleito mesmo com votação individual inferior à de Gustinho. Isso ocorreria porque o PSB passaria a ter direito à cadeira pelo resultado conjunto da chapa.

O quociente também foi recalculado

Acrescentar votos exige conferir novamente a distribuição, porque altera o total válido e o quociente eleitoral.

O relatório oficial registra 1.283.700 votos válidos para deputado federal e quociente eleitoral de 160.462.

Com os 16.741 votos adicionais, o total chegaria a 1.300.441, e o novo quociente seria 162.555, seguindo a regra de tratamento da fração prevista pelo TSE.

Mesmo com a mudança, os cinco partidos e federações com representação continuariam conquistando uma cadeira inicial cada. As três sobras seriam distribuídas, na ordem, para União Progressista, PSD e PSB.

Marcos, com 48.982 votos, superaria o mínimo individual de 32.511, correspondente a 20% do novo quociente, exigido nessa etapa.

A composição ficaria assim:

Partido ou federação Resultado oficial Com mais 16.741 votos em Marcos
União Progressista 3 2
PSD 2 2
Republicanos 1 1
PSB 1 2
Brasil da Esperança 1 1
Total 8 8

Transferência direta exigiria 10.045 votos

Existe uma segunda hipótese: votos que foram para o União Progressista serem transferidos diretamente para Marcos Santana. Cada voto elevaria a votação do PSB e reduziria a da federação concorrente ao mesmo tempo.

Nesse caso, seriam necessários 10.045 votos transferidos. Marcos chegaria a 42.286, o PSB alcançaria 203.366, e o União Progressista cairia para 305.047 votos.

As médias seriam:

Disputa Cálculo Média
PSB buscando a segunda cadeira 203.366 ÷ 2 101.683
União Progressista buscando a terceira 305.047 ÷ 3 101.682,333…
Republicanos buscando a segunda 202.916 ÷ 2 101.458

Com 10.044 votos transferidos, a média do PSB seria 101.682,5, ainda abaixo dos 101.682,666… do União Progressista. A troca não aconteceria.

Como a transferência ocorreria entre votos já válidos, o total da eleição e o quociente eleitoral permaneceriam iguais. O PSB conquistaria a segunda cadeira, e o União Progressista ficaria com duas.

Nessa hipótese, o candidato que perderia a vaga na federação dependeria de quais nomes cedessem os votos. A retirada poderia modificar a ordem interna do União Progressista.

Votos dentro do próprio PSB não aumentariam o total da sigla

Também há uma diferença entre elevar a votação de Marcos e elevar a votação do PSB. Se ele apenas recebesse votos antes destinados a outros candidatos do próprio partido, o total da sigla permaneceria igual.

Essa redistribuição interna, isoladamente, não daria ao PSB a segunda cadeira pelo mecanismo analisado. Para o cenário principal, os 16.741 votos precisariam representar um acréscimo ao total do partido.

Metodologia: simulação matemática do O Arroto com a totalização oficial das eleições de 2026 para deputado federal em Sergipe e as regras do sistema proporcional previstas na Resolução TSE nº 23.677/2021, em sua versão compilada. O relatório utilizado foi divulgado pelo TRE-SE em 8 de outubro. Os resultados simulados não representam alteração na totalização oficial.

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Fontes consultadas para esta versão