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Nossa Senhora Aparecida completa 95 anos como padroeira do Brasil

A devoção, surgida após o achado de uma imagem em 1717, foi reconhecida por Pio XI em 1930; cerimônias, feriado e milhões de peregrinos mantêm a importância da padroeira, segundo bispo emérito dom Vilson

12 de out., 09:58 São Cristóvão 0 leituras
Nossa Senhora Aparecida completa 95 anos como padroeira do Brasil
Foto: © Jose Cruz/Agência Brasil

Comemoram-se os 95 anos da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil, título assinado pelo papa Pio XI em 1930 e confirmado solenemente em cerimônia realizada em 1931, no Rio de Janeiro.

A origem da devoção remonta a 1717, quando Domingos Garcia, João Alves e Felipe Pedroso, navegando pelo Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, encontraram submersa uma imagem de barro da Virgem Maria, identificada como a Imaculada Conceição. Depois do achado, passaram a chamá-la de Aparecida e começaram a ser relatadas graças e milagres atribuídos à sua intercessão.

A fama da imagem atraiu romeiros de várias regiões do país. Na cerimônia pública de 1931, diante de cerca de 1 milhão de pessoas, foi lido o decreto pontifício que declarou a Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira da nação brasileira. No mesmo dia, foram acrescentadas ao manto que veste a imagem as bandeiras do Brasil e do Vaticano.

Décadas depois, em 1980, durante a primeira visita do então papa João Paulo II ao Brasil, o dia 12 de outubro foi oficialmente instituído como feriado nacional em honra à padroeira. Desde então, cerca de 10 milhões de peregrinos visitam anualmente o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, para renovar a fé e confiar intenções à Virgem Maria.

Reflexão do bispo emérito

Para dom Vilson Dias de Oliveira, bispo emérito de Limeira (SP) e membro da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a solenidade transcende as fronteiras do país e funciona como “farol espiritual” para o catolicismo universal. Em carta, ele destaca a solicitude da santa pelos pequenos e pobres.

“O achado da pequena imagem nas águas do Rio Paraíba do Sul não inaugurou apenas um capítulo na história da fé nacional, mas inscreveu no patrimônio da Igreja um acontecimento profundamente teológico: a manifestação da solicitude de Maria pelos pequenos, pelos descartados e pelos continentes que buscam a sua libertação e unidade no Evangelho de Cristo”, escreveu.

O religioso afirma ainda que, para a América Latina, a devoção guarda “ressonância singular e profética”. “O continente latino-americano, marcado por feridas históricas de desigualdade, mas iluminado por uma piedade popular fervorosa, encontra na Virgem de barro negro a expressão viva do rosto da própria Igreja continental.”

Dom Vilson destaca que a figura de Aparecida mostra que Deus prefere manifestar sua grandeza por meio do que é frágil e humilde. A pequena imagem recolhida do fundo das águas por mãos simples, segundo ele, recorda que a verdadeira evangelização “nasce do amor encarnado na realidade concreta dos povos e das suas culturas”.

“Que as comunidades espalhadas por todo o Brasil e pelos países irmãos da América Latina não temam dar este passo audacioso. Diante dos desafios sociais, econômicos e espirituais que marcam o nosso tempo, a Virgem Aparecida nos recorda que Deus continua a realizar suas maiores maravilhas por meio dos humildes e organizados em comunidade”, concluiu dom Vilson Dias de Oliveira.

Foto: © Jose Cruz/Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil