JustiçaVERIFICAÇÃO PARCIAL

Pastor que matou motorista de app vai a júri por tentar matar ex-mulher

O julgamento de Antônio Ailton da Silva, acusado de atacar a ex-esposa e a amiga em 25 de fevereiro de 2025, ocorre em 9/9; ele já foi condenado por feminicídio em julho deste ano

09 de set., 07:51 São Cristóvão 0 leituras
Pastor que matou motorista de app vai a júri por tentar matar ex-mulher
Foto: Reprodução

O pastor Antônio Ailton da Silva, de 44 anos, será julgado, nesta quarta-feira (9/9), pelo Tribunal do Júri do Recanto das Emas por tentar matar a ex-esposa e a amiga dela. Os ataques ocorreram na madrugada do dia 25 de fevereiro de 2025, um dia antes do assassinato da motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos.

O ataque à ex-companheira e à amiga

Segundo a denúncia, o acusado não aceitava o fim do relacionamento e foi até a casa onde a ex-esposa estava abrigada. No local, ele a estrangulou e agrediu fisicamente enquanto ela dormia no sofá da casa da amiga, até que ela perdesse a consciência. Acreditando que a mulher estivesse morta, o homem bateu na porta do quarto da proprietária da casa e, usando de dissimulação, afirmou que a amiga estava "passando mal" para fazê-la abrir a porta.

Quando a proprietária abriu, foi enforcada e espancada até desmaiar. O acusado ainda roubou o celular da testemunha antes de fugir. Além do estrangulamento e dos murros, o réu a amarrou com uma corda. A vítima relatou que, ao recobrar os sentidos, estava sangrando pela boca, nariz e ouvido, e que o couro da perna havia sido arrancado como se tivesse sido arrastada.

Antes da invasão e do estrangulamento da ex-esposa, Ailton teria ido à casa da amiga duas vezes na tarde do dia anterior e, em um episódio anterior, por volta das 19h, pediu água gelada, quando recebeu a negativa sobre dormir com ele no barraco.

Contexto do relacionamento e medidas

Há cerca de um mês a vítima tentava se separar e, uma semana antes do crime, havia alugado um barraco próximo à casa da amiga para tentar morar sozinha. Segundo o relato, o réu controlava o celular da mulher e, em episódio anterior, pegou o carro e pertences dela, sumindo por um tempo e alegando ter ido a Pernambuco, além de dizer que o veículo teria sido apreendido na Bahia. A ex-esposa também relatou episódios de alcoolismo por parte de Ailton.

A decisão de primeira instância havia retirado a qualificadora da tentativa de homicídio contra a amiga, com base no argumento de que a vítima declarou desconhecer a motivação do ataque, mas um recurso do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) foi aceito.

Antônio Ailton da Silva irá responder por tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado e furto. Caso seja condenado, a pena máxima pode chegar até 47 anos e 8 meses de prisão. O Metrópoles não localizou a defesa de Antônio Ailton; o espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Condenação pelo assassinato da motorista de app

No dia 14 de julho deste ano, o Tribunal do Júri condenou Antônio Ailton da Silva a mais de 29 anos de prisão pelo homicídio da motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos, ocorrido em fevereiro de 2025, na região do Cruzeiro (DF). A denúncia do MPDFT apontou que o acusado escolheu a vítima por ser mulher, o que revelaria "escolha racional do alvo e exploração consciente da vulnerabilidade da ofendida".

O documento também descreve o modus operandi: o réu teria estrangulado a vítima e, após ela sobreviver inicialmente, aplicado golpes de faca, sendo a causa da morte o traumatismo torácico. O MPDFT afirmou ainda que o comportamento de Antônio da Silva "revela frieza, deliberação e desprezo pela vida humana" e que "A conduta social do réu merece valoração negativa, evidenciada por comportamento misógino e histórico de violência de gênero".

Ana Rosa trabalhava há cinco anos como motorista de aplicativo e deixou dois filhos. Segundo o Ministério Público, o filho mais novo, com 13 anos na época do crime, ficou mais recluso e quase não conversa desde o caso; também foi tirado de Ana Rosa o direito de conhecer a própria neta, que nasceu em novembro de 2025.

Foto: Reprodução

Fonte: Metrópoles