Desde 2024, a paciente Rita Castro de Araújo, de 69 anos, busca na Justiça o pagamento de uma indenização próxima a R$ 100 mil pelo cirurgião-dentista José Augusto Toledo Patay, de 44 anos. Ele foi condenado por ter aplicado PMMA (polimetilmetacrilato) no rosto da mulher durante uma harmonização facial em 2023, procedimento que resultou em nódulos e deformidades na face.
O PMMA é um material sintético usado como preenchedor definitivo e, ao contrário do ácido hialurônico, não é absorvido pelo organismo com o tempo. Por causa dos caroços, Rita precisou passar por uma cirurgia avaliada em R$ 27 mil. Em julho de 2023, o dentista chegou a assinar um termo de responsabilidade afirmando que arcaria com o valor, mas não efetuou o pagamento, segundo a paciente.
Decisão judicial e execução
Em liminar, o cirurgião foi condenado a custear a cirurgia e, em caso de descumprimento, seria multado em R$ 500 por dia, até o limite de R$ 50.000. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 18.468,18 na conta de José e a transferência desse montante para a paciente. Além disso, ele foi condenado a pagar R$ 4,5 mil por danos materiais e R$ 20 mil por danos morais e estéticos. A decisão foi proferida em fevereiro deste ano e, segundo a defesa, o valor de R$ 97.303,41 deve ser penhorado da conta do réu.
A advogada de Rita, Rosielly Santos, disse: "Já foi protocolada a consulta, mas ainda não foi efetivada, não saiu o resultado. De modo que a gente ainda não sabe se bloqueou algum valor ou não, porque não foi juntado aos autos qualquer comprovação correspondente. A gente ainda tá aguardando".
Fiscalização e condução à delegacia
Na última quarta-feira (13/10), José Augusto voltou a ser notícia após atender pacientes mesmo com o registro suspenso no Conselho Regional de Odontologia (CRO-DF). Durante fiscalização do CRO-DF, com apoio da Polícia Civil (PCDF), ele foi flagrado atendendo em uma clínica no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) e foi conduzido à delegacia.
O CRO-DF informou que ele está sob suspensão cautelar determinada pelo plenário do conselho e que o motivo específico da medida não consta no documento divulgado pelo órgão. Os agentes também verificaram que a clínica não possuía licenças sanitárias e registros obrigatórios. A ocorrência foi encaminhada à 5ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, e Patay poderá responder administrativamente no conselho e criminalmente, conforme apuração das autoridades.
Em nota, o conselho afirmou: "Com esta ação, o CRO-DF reafirma o seu papel institucional de atuar firmemente na proteção à sociedade e no bom prestígio da odontologia".
Segundo os registros do conselho, Patay já recebeu quatro suspensões profissionais em processos éticos — com prazos de 10 e 20 dias, além de duas suspensões de oito dias cada — e duas censuras públicas. As denúncias registradas nos processos envolvem tratamentos odontológicos e procedimentos estéticos, com relatos de dores, sangramentos, deformidades faciais e necessidade de tratamentos corretivos.
Relato da paciente e versão do dentista
Rita relatou que, em março de 2023, procurou o profissional e foi convencida a realizar aplicações com PMMA. Três meses depois, começaram a aparecer nódulos no rosto. "Ele dizia que isso nunca aconteceu com paciente nenhuma e não sabia explicar o que estava acontecendo. Então ele fez uma cirurgia e retirou 40 caroços da minha face direita. Ele também aplicou ozônio e fiquei sem enxergar por 20 minutos", contou.
Sobre o impacto na vida pessoal, a paciente disse: "Minha autoestima? Está no zero. Eu não tenho mais o sorriso que eu tinha antes. Eu tinha um sorriso belo, agora tenho deformações no rosto, estou cheia de caroços. Está tudo inflamado. Tenho dificuldade para conversar, meu rosto pega fogo." Ela também relatou que, no início, o dentista auxiliava financeiramente com o tratamento, mas depois deixou de fazê-lo, e que chegou a ouvir do profissional: 'O procedimento deu errado? Então chama a polícia'.
O dentista, por sua vez, afirma que o procedimento que fez não é responsável pelas sequelas apontadas por Rita. "Em 2023 eu só fiz uma biópsia, porque ela apareceu querendo culpar meu tratamento. Mas problemas apareceram depois de uma cirurgia ortognática que ela fez e não me contou", explicou.
Foto: Reprodução
Fonte: Metrópoles

